Marujadas de São Benedito
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Acesse a página Marujadas de São Benedito Foto colorida retratando o Teatro Museu da Marujada em Bragança - PA
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Sobre o bem cultural
Vídeo de registro
Período de ocorrência
Proponente do Registro
Irmandade da Marujada de São Benedito de Bragança | Bragança (BR). Prefeitura Municipal | Associação Cultural Musical Bragantina | Sociedade Beneficente Artística Bragantina | Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Bragança
Abrangência do registro
Etiqueta temática
Objetivos de Desenvolvimento Sutentável
Arte, cultura e comunicação (Objetivo 19) | Cidades e comunidades sustentáveis (Objetivo 11) | Paz, justiça e instituições eficazes (Objetivo 16)
Informações de destaque lateral
Livro de Registro
Data de Registro
04/09/2024
Estados Brasileiros
Municípios da Instituição Proponente do Registro
Pará (PA) > Ananindeua | Pará (PA) > Augusto Corrêa | Pará (PA) > Bragança | Pará (PA) > Capanema | Pará (PA) > Primavera | Pará (PA) > Quatipuru | Pará (PA) > Tracuateua
Acesse o processo de registro no Sistema Eletrônico de Informação
Recomendações e Diretrizes para Salvaguarda do Dossiê
De forma geral, as indicações de salvaguarda que são apresentadas no Dossiê de Registro apontam para ações de mapeamento de detentores e das diferenças entre as marujadas, de criação de redes entre os detentores e de educação patrimonial. Tais indicações podem ser resumidas da seguinte forma:
- realização de eventos deliberativos com a participação dos detentores das Marujadas (devido à ampliação das marujadas envolvidas – produzir inventários/mapeamentos das outras marujadas);
- criação de redes presenciais e virtuais para trocas de informações sobre o inventário e a
salvaguarda do bem;
- promoção de reuniões para tratativas entre diferentes grupos e instituições, nos âmbitos
municipal, estadual e federal para desenvolvimento de projetos integrados com participação dos detentores das Marujadas;
- divulgação dessa manifestação cultural, valorizando-se os coletivos já existentes;
- elaboração de plano de capacitação para detentores, mediadores e gestores, incluindo-se
discussões sobre gestão de políticas para o patrimônio imaterial;
- criação de um blog ou outra mídia de divulgação e compartilhamento de produções escritas e audiovisuais sobre as Marujadas na região bragantina;
- atividades de valorização da memória e transmissão de saberes sobre a Marujada com atuação dos próprios detentores e com condições para essa atuação;
- promoção de maior atuação em momentos de recepção ao público que visita os municípios por ocasião da festividade da Marujada (turismo e geração de renda);
- resoluções de questões relacionadas com os espaços tradicionais dos eventos da Marujada em Bragança.
Nas escutas realizadas, durante a visita técnica aos municípios da microrregião bragantina e de Ananindeua, foram levantadas as seguintes necessidades para a continuidade da prática de marujada:
- Realização de oficinas para a confecção de chapéus, pois eles possuem custos elevados e não são todas as marujadas que possuem artesãos e artesãs habilitados para confeccioná-los;
- Produção documental das histórias das diferentes marujadas, enfatizando as peculiaridades de cada uma delas. Para tanto, poderiam ser realizados levantamentos usando a metodologia da História Oral para que outras versões das marujadas fossem contempladas, principalmente, em Quatipuru e Capanema;
- Realização de eventos para construir entendimentos entre as marujadas, principalmente, em relação ao sincretismo religioso de algumas marujadas e a incorporação de elementos como o carimbó e outras danças;
- Mediações com o poder público local com relação ao fechamento das ruas para o trajeto das procissões das marujadas (Ananindeua).
- Propostas de solução para a falta de barracão (Dona Pretinha de Quatipuru e Ananindeua). Nota-se que a maioria das irmandades ou associações possuem seus barracões com locais para as celebrações, ensaios, danças, preparo e distribuição das comidas, o que demonstra a organização e as realizações coletivas desses agrupamentos que muitas vezes constroem seus barracões por meio de doações e mutirões. Todavia, o grupo de Marujada de Ananindeua e o de D. Pretinha de Quatipuru descrevem que não possuem barracões próprios, o que é um problema para a continuidade dessas marujadas;
- Ações para diminuir a dificuldade de obtenção de recursos para realização das festas,
principalmente, as práticas relacionadas com a distribuição de comidas;
- Atividades para a transmissão geracional do bem cultural para a perpetuação das marujadas.
Denominação
Marujadas de São Benedito
Descrição Completa
As Marujadas de São Benedito são celebrações populares que combinam fé, dança, música e formas de organização social, ocorrendo em diversos municípios do nordeste do Pará com destaque para as cidades da região Bragantina e para Ananindeua. Realizadas anualmente por devotos e devotas, essas manifestações homenageiam São Benedito e, em alguns casos, também São Sebastião, por meio de rituais, folguedos e gestos de agradecimento pelas graças recebidas.
A celebração é composta por diferentes momentos ao longo do ano, com seu ponto alto concentrado entre os meses de dezembro e janeiro. Durante esse período, o calendário festivo inclui procissões, missas, o levantamento e a derrubada de mastros, almoços coletivos, leilões e apresentações de danças tradicionais. Os grupos que organizam as marujadas, formados por marujos e marujas, formam uma verdadeira rede social que une práticas devocionais e expressões culturais, como as danças em roda, o chorado, o retumbão, a valsa, o arrasta-pé, a mazurca, o xote, o bagre e a contradança.
Além das danças, a marujada é identificada também pela estrutura de personagens: capitão, capitoa, juiz, juíza, marujos e marujas, cada um com papéis específicos dentro da festividade. A presença das mulheres é marcante tanto na organização quanto na execução das atividades, enquanto aos homens cabem funções como esmolação, percussão e apoio logístico.
A preparação das marujadas acontece durante todo o ano, envolvendo atividades de arrecadação, ensaios, costura de roupas e mobilização das famílias e comunidades. Os saberes são transmitidos entre gerações por meio do convívio e da prática, sendo comum ouvir entre os participantes expressões como “dançar marujada” ou “entrei para a marujada”, indicando pertencimento a uma coletividade que se identifica com o ritual e o celebra como parte de sua identidade local.
Segundo a memória oral dos detentores, a origem da marujada no Pará remonta aos séculos XVIII e XIX, em contextos marcados pela escravidão, quando populações negras passaram a homenagear São Benedito por meio de rezas, folias, danças e celebrações religiosas. Ao longo do tempo, essas expressões foram se consolidando como um sistema próprio de rituais e práticas festivas, hoje reconhecido como parte fundamental da cultura regional.
Em Bragança ocorre a marujada com maior participação popular, organizada pela Irmandade da Marujada de São Benedito em parceria com a Igreja Católica. A continuidade histórica da celebração e sua presença em múltiplos municípios reforçam seu papel como referência de identidade para os habitantes da região e como expressão da diversidade cultural brasileira.
Em 2024, o Iphan reconheceu as Marujadas de São Benedito no Pará, como Patrimônio Cultural do Brasil, reafirmando o valor simbólico e social dessa celebração, que mobiliza comunidades, fortalece vínculos afetivos e transmite saberes por meio da dança, da fé e do convívio coletivo.
Esta descrição faz parte da síntese do conteúdo do processo administrativo nº 01450.014857/2017-80. O texto foi elaborado com o auxílio de inteligência artificial, baseado nos documentos do BCR (Bens Culturais Registrados) e revisado por especialistas humanos. Nosso objetivo é tornar as informações mais acessíveis e compreensíveis para todas as pessoas. Caso encontre alguma inconsistência ou tenha sugestões de melhoria, entre em contato conosco. A sua participação é fundamental para valorizarmos e preservarmos nosso patrimônio cultural!
Solicitação de Registro do Bem
Data do Documento
01/04/2011
Autor
Irmandade da Marujada de são Benedito de Bragança
Anuência da Comunidade
Data do Documento
31/03/2011
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Nota Técnica de Pertinencia
Ata/Decisão da Câmara Técnica do Patrimônio Imaterial
Data do Documento
30/07/2012
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Dossiê do Registro
Data do Documento
2022
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Parecer técnico do Iphan
Aviso de tramitação no DOU
Data do Documento
01/08/2024
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Parecer do relator do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
Ata do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
Data do Documento
04/08/2024
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Título do Bem
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Certidão do Registro do Bem
Data do Documento
04/09/2024
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)










