Kene Kuĩ: grafismos do povo Huni Kuĩ
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Acesse a página Kene Kui - Arte Gráfica do Povo Huni Kui O pedido de registro do Kene Kuĩ no Livro dos Saberes foi feito ao Iphan no ano de 2006, por meio do documento assinado por 127 representantes de comunidades e organizações indígenas do povo Huni Kuĩ (Kaxinawá), como a Associação dos Produtores Kaxinawá da Aldeia Paroá (APROKAP), a Organização dos Povos Indígenas do Rio Envira (OPIRE); a Associação dos Seringueiros, Agricultores e Artesãos Kaxinawá de Nova Olinda (ASPAKNO); a Organização do Povo Huni Kuĩ do Alto Purus (OPIHARP) e a Federação do Povo Huni Kuĩ do Acre (FEPHAC). A partir de agora, o corpo técnico do Iphan e os detentores do bem cultural, juntos, vão desenvolver políticas públicas para a proteção do Kene Kuĩ, como oficinas de salvaguarda, pesquisas de campo e consultas públicas, fortalecendo o desenvolvimento de formas de transmissão.
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Acesse a página Kene Kui - Arte Gráfica do Povo Huni Kui O pedido de registro do Kene Kuĩ no Livro dos Saberes foi feito ao Iphan no ano de 2006, por meio do documento assinado por 127 representantes de comunidades e organizações indígenas do povo Huni Kuĩ (Kaxinawá), como a Associação dos Produtores Kaxinawá da Aldeia Paroá (APROKAP), a Organização dos Povos Indígenas do Rio Envira (OPIRE); a Associação dos Seringueiros, Agricultores e Artesãos Kaxinawá de Nova Olinda (ASPAKNO); a Organização do Povo Huni Kuĩ do Alto Purus (OPIHARP) e a Federação do Povo Huni Kuĩ do Acre (FEPHAC). A partir de agora, o corpo técnico do Iphan e os detentores do bem cultural, juntos, vão desenvolver políticas públicas para a proteção do Kene Kuĩ, como oficinas de salvaguarda, pesquisas de campo e consultas públicas, fortalecendo o desenvolvimento de formas de transmissão.
Sobre o bem cultural
Vídeo de registro
Período de ocorrência
Abrangência do registro
Proponente do Registro
Associação dos Produtores Kaxinawá da Aldeia Paroá (APROKAP) | Organização dos Povos Indígenas do Rio Envira (OPIRE) | Associação dos Seringueiros, Agricultores e Artesãos Kaxinawá de Nova Olinda (ASPAKNO) | Organização do Povo Huni Kuĩ do Alto Purus (OPIHARP) | Federação do Povo Huni Kuĩ do Acre (FEPHAC)
Etiqueta temática
Artesanato e arte popular | Povos indígenas | Práticas eminentemente femininas | Sistema de crenças
Informações de destaque lateral
Livro de Registro
Data de Registro
25/03/2025
Estados Brasileiros
Municípios Brasileiros
Acre (AC) > Feijó | Acre (AC) > Jordão | Acre (AC) > Marechal Thaumaturgo | Acre (AC) > Santa Rosa do Purus | Acre (AC) > Tarauacá
Acesse o processo de registro no Sistema Eletrônico de Informação
Recomendações e Diretrizes para Salvaguarda do Dossiê
O dossiê propõe a valorização e remuneração das mestras do kene e o aumento de renda por meio da venda de artefatos para um mercado especializado, destacando a importância de evitar a massificação da produção e a desvalorização dos produtos. A revitalização das tradições deve ocorrer em colaboração com os "Mestres de Cultura", preservando o respeito pelos processos tradicionais de transmissão do conhecimento. Essa colaboração geracional pode evitar a folclorização e o nivelamento simplificado dos conteúdos nas escolas.
Recomenda-se o apoio às organizações Huni Kuĩ para fortalecer a articulação entre as terras indígenas, focando na transmissão dos conhecimentos do kene e na valorização das aĩbu keneya, além de estratégias para a comercialização sustentável de artesanato. Também é sugerido a criação de um programa de formação de pesquisadores Huni Kuĩ, com intercâmbio com pesquisadores indígenas de outras regiões, para desenvolver um Plano de Salvaguarda de longo prazo e publicações sobre os kene xarabu.
Adicionalmente, o dossiê menciona outras recomendações de salvaguarda presentes nos relatórios da ação emergencial de 2014, realizada pelo Iphan na Terra Indígena Alto Rio Purus. Entre essas ações, destacam-se um programa de intercâmbio entre mestras de diferentes regiões, a tradução de materiais de pesquisa para hãtxa kuĩ, a reedição de livros e estudos sobre o kene, e o reconhecimento da produção de artefatos com kene como obras de arte, refletindo a identidade étnica dos Huni Kuĩ. O dossiê também aponta a importância de preservar o conhecimento tradicional do kene, que vai além da produção para o comércio, incluindo aspectos como histórias, cantos, rituais e o uso de matérias-primas florestais, evitando a simplificação do saber.
O comércio, embora um incentivo importante, não deve ser a única abordagem, já que a ênfase na produção para venda pode comprometer o aprendizado e a preservação dos aspectos mais complexos do kene. O planejamento de ações de salvaguarda deve considerar a preservação dos conhecimentos mais profundos e complexos, como as técnicas de "umĩ kene". Também é destacado o desafio da apropriação indevida do kene por não-indígenas, sugerindo a necessidade de estratégias para mitigar esse problema.
Por fim, o dossiê propõe uma parceria entre a FEPHAC e a AMAAIAC para retomar o cultivo do algodão nativo nas terras indígenas, com assistência técnica para melhorar a produtividade dos plantios.
Denominação
Kene Kuĩ: grafismos do povo Huni Kuĩ
Descrição Completa
No estado do Acre, o povo Huni Kuĩ cultiva uma arte que reúne conhecimentos, histórias e modos de vida. Os kene kuĩ são grafismos tradicionais que marcam objetos do cotidiano — como tecidos, cerâmicas, cestarias, pinturas corporais, redes e adornos com miçangas — e fazem parte da identidade desse povo originário, expressando uma forma própria de se relacionar com o mundo.
Cada traço carrega significados que combinam forma, espiritualidade e saber ancestral. Os desenhos possuem nomes e sentidos associados a animais, seres da floresta, entidades míticas, rios, plantas e outros elementos naturais. Criar um kene é também um gesto de memória e de continuidade, pois os padrões guardam os ensinamentos transmitidos entre gerações e reafirmam a ligação com a terra e os conhecimentos dos mais velhos.
A produção desses grafismos envolve diferentes etapas e saberes. Para confeccionar uma rede, por exemplo, é preciso plantar o algodão, colher, fiar e tingir os fios com corantes naturais. Já a cerâmica requer cuidados específicos na coleta do barro, além de práticas rituais que acompanham o processo. Em cada objeto produzido com kene kuĩ, estão presentes o respeito à tradição, a conexão com o sagrado e o conhecimento técnico das pessoas envolvidas.
As mulheres Huni Kuĩ são, em geral, as principais guardiãs desses saberes. Desde muito jovens, aprendem por meio da observação, da escuta e da prática, desenvolvendo a habilidade de criar desenhos com precisão, criatividade e intuição. Cada mestra tem seus padrões favoritos e seu estilo próprio, e por isso os traços variam entre aldeias, territórios e famílias, mantendo viva uma sabedoria coletiva que se adapta às diferentes realidades do povo.
Em algumas regiões, certas técnicas mais complexas, como a tecelagem de redes, enfrentam dificuldades para continuar sendo praticadas. Ainda assim, o conhecimento permanece ativo nas comunidades, impulsionado por quem valoriza sua importância e atua para que esses saberes continuem sendo ensinados e reconhecidos.
O registro dos kene kuĩ como Patrimônio Cultural do Brasil, feito em 2025 no Livro dos Saberes, reconhece a importância desse conjunto de conhecimentos e reafirma seu valor como expressão viva da diversidade cultural brasileira e como parte fundamental da história e da identidade do povo Huni Kuĩ.
Esta descrição faz parte da síntese do conteúdo do processo administrativo nº 01450.011179/2018-67. O texto foi elaborado com o auxílio de inteligência artificial, baseado nos documentos do BCR (Bens Culturais Registrados) e revisado por especialistas humanos. Nosso objetivo é tornar as informações mais acessíveis e compreensíveis para todas as pessoas. Caso encontre alguma inconsistência ou tenha sugestões de melhoria, entre em contato conosco. A sua participação é fundamental para valorizarmos e preservarmos nosso patrimônio cultural!
Solicitação de Registro do Bem
Anuência da Comunidade
Data do Documento
30/10/2006
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Nota Técnica de Pertinencia
Ata/Decisão da Câmara Técnica do Patrimônio Imaterial
Data do Documento
10/06/2015
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Dossiê do Registro
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Parecer técnico do Iphan
Data do Documento
08/02/2025
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Aviso de tramitação no DOU
Data do Documento
22/01/2025
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Parecer do relator do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
Ata do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
Data do Documento
26/03/2025
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Título do Bem
Data do Documento
16/09/2025
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Certidão do Registro do Bem
Data do Documento
25/03/2024
Autor
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)








