Ofício de Tacacazeira
Sobre o bem cultural
Vídeo de registro
Período de ocorrência
Abrangência do registro
Proponente do Registro
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP)
Instituições parceiras
Vinculo com Inventário Nacional de Referências Culturais
Etiqueta temática
Cultura alimentar | Mercados e feiras | Práticas eminentemente femininas | Práticas femininas
Objetivos de Desenvolvimento Sutentável
Cidades e comunidades sustentáveis (Objetivo 11) | Consumo e produção responsáveis (Objetivo 12) | Igualdade de gênero (Objetivo 5)
Informações de destaque lateral
Livro de Registro
Data de Registro
25/11/2025
Estados Brasileiros
Acre (AC) | Amapá (AP) | Amazonas (AM) | Pará (PA) | Rondônia (RO) | Roraima (RR) | Tocantins (TO)
Território já identificado
AC, AP, AM, PA, RO, RR, TO
Acesse o processo de registro no Sistema Eletrônico de Informação
Denominação
Ofício de Tacacazeira
Descrição Completa
O Ofício de Tacacazeira é a profissionalização de uma prática vinculada aos processos de urbanização da Amazônia. Trata-se, majoritariamente, de mulheres detentoras de um saber-fazer refinado que envolve o preparo e a comercialização do tacacá, um prato produzido e consumido em diversas regiões da Amazônia brasileira, constituído por subprodutos da mandioca, entre os quais o tucupi e a goma, além do camarão seco, jambu e diversos temperos.
O tacacá se insere em um sistema amplo de relações sociais, comerciais e simbólicas, coletivamente partilhadas. Embora compartilhem conhecimentos culinários com outras cozinheiras, as tacacazeiras se distinguem por atuarem no espaço público urbano, estabelecendo contato cotidiano com um universo próprio de sociabilidade, comércio e identidade regional. O tacacá e sua venda organizam o cotidiano dessas mulheres, atravessando esferas privadas e públicas, pessoais e profissionais.
Presente em grandes e pequenas cidades amazônicas, o ofício reúne dimensões históricas, econômicas e simbólicas que conferem às tacacazeiras um papel central na construção e afirmação da identidade amazônica. Elas são as principais guardiãs dos saberes que envolvem o cultivo dos ingredientes, o preparo e a venda do alimento, práticas que asseguram sua subsistência e a continuidade dessa tradição culinária enraizada na região.
A dinâmica social do ofício é marcada por ambivalências e transições: entre natureza e cultura, campo e cidade, espaço doméstico e rua, passado e presente, trabalho e lazer. Consumido entre o dia e a noite, nos intervalos do labor e do descanso, o tacacá reúne diferentes grupos sociais, compondo um símbolo de pertencimento coletivo e de continuidade cultural.
Com suas barracas, quiosques e carrinhos espalhados pelas cidades, as tacacazeiras integram de forma expressiva a paisagem urbana amazônica, acompanhando o ritmo de seu desenvolvimento histórico e econômico. Detentoras de saberes e segredos transmitidos entre gerações, desempenham papel essencial na reprodução de formas de sociabilidade e no ensino dos modos de fazer às mais jovens, garantindo a salvaguarda e a vitalidade dessa prática tradicional. Em razão de sua relevância para a cultura, a história e a identidade do povo amazônico, indica-se a inscrição do Ofício da Tacacazeira no Livro de Registro dos Saberes.




